O oceano brasileiro abriga uma vasta diversidade de vida marinha, incluindo baleias e golfinhos, espécies fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas, considerados sentinelas do oceano. Apesar disso, muitas regiões ainda são pouco estudadas, especialmente a Margem Equatorial Brasileira.

Com o objetivo de preencher essa lacuna, o Instituto Aqualie desenvolve o Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC) na Bacia Pará-Maranhão, no norte do Brasil. A iniciativa é uma condicionante ambiental estabelecida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) no âmbito das pesquisas sísmicas dos projetos MEGABAR e PAMA FZA. O objetivo é gerar conhecimento confiável para que atividades humanas no oceano sejam planejadas com responsabilidade.

Onde fica a Bacia Pará-Maranhão e por que ela é importante?

Localizada no oceano Atlântico, entre os estados do Pará e do Maranhão, a Bacia faz parte da Margem Equatorial Brasileira, uma área de grande relevância ambiental e científica.

Além da rica biodiversidade, a região também apresenta potencial para exploração de petróleo e gás. Por isso, estudos ambientais são fundamentais para avaliar possíveis impactos dessas atividades no ecossistema marinho.

A influência da foz do Rio Amazonas contribui para a alta produtividade da região, favorecendo a presença de peixes, tartarugas, aves marinhas e diversos mamíferos marinhos, e claro, baleias e golfinhos.

Quais espécies já foram registradas?

As campanhas do projeto já identificaram diferentes espécies de cetáceos na região. Entre as mais frequentes estão o golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) e espécies do gênero Stenella, como S. attenuata, S. longirostris e S. frontais.

Também foram registradas espécies de mergulho profundo, como o cachalote (Physeter macrocephalus), baleias de bico (família Ziphiidae) e representantes do gênero Kogia. Grandes predadores, como a orca (Orcinus orca) e a falsa-orca (Pseudorca crassidens), também ocorrem na área.

Esses registros ajudam a compreender a diversidade e a frequência das espécies na região.

Como os cetáceos podem ser estudados no mar?

O projeto combina três principais métodos científicos:

  • Monitoramento visual, com observadores registrando avistagens, tamanho de grupo e comportamento dos animais;
  • Monitoramento acústico passivo, com o uso de hidrofone para gravar sons subaquáticos 24h por dia, permitindo detectar animais mesmo quando não estão visíveis na superfície;
  • Telemetria satelital, instalação de transmissores que permitem acompanhar as rotas migratórias e o uso do habitat em tempo real.

Como funciona a pesquisa em campo?

As expedições são realizadas a bordo de um navio de pesquisa, que percorre rotas definidas para cobrir toda a área de estudo. Enquanto o hidrofone registra os sons do oceano 24 horas por dia, o monitoramento visual ocorre durante período diurno.

Desde o início do projeto, já foram realizadas campanhas que somam cerca de 150 dias em campo. A etapa atual prevê aproximadamente 90 dias de atividades no mar, divididos em períodos com pausas para revezamento da equipe e logística da embarcação.

A equipe é formada por profissionais de diferentes áreas, como biólogos, oceanógrafos, veterinários e pilotos especializados em aproximações.

Por que essa pesquisa é importante?

Baleias e golfinhos são considerados espécies-chave: ao proteger seus habitats, outras espécies do ecossistema também são beneficiadas. Os dados coletados permitem identificar quais espécies utilizam a região, onde ocorrem com maior frequência e como se comportam. Essas informações são fundamentais para orientar ações de conservação e apoiar decisões relacionadas ao uso sustentável do ambiente marinho.

Ainda há muito a descobrir sobre as águas profundas do Norte do Brasil, e cada expedição nos deixa mais próximos de entender como proteger esse patrimônio natural.